Morte de equipe da Band Minas expõe riscos da multifunção e da precarização no jornalismo

17/04/2026
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A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG) manifestam profundo pesar pela morte do repórter cinematográfico Rodrigo Lapa e da repórter Alice Ribeiro, profissionais da Band Minas, vítimas de um grave acidente na BR-381, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, enquanto retornavam de uma pauta jornalística. Neste momento de dor, as entidades se solidarizam com familiares, amigos e colegas de trabalho, reafirmando seu compromisso com a defesa da vida e da dignidade dos profissionais de imprensa.
A tragédia também acende um alerta urgente sobre as condições de trabalho no setor. O veículo era conduzido pelo próprio repórter cinematográfico, evidenciando uma prática cada vez mais recorrente de acúmulo e desvio de função. Profissionais responsáveis pela captação de imagens jornalísticas vêm sendo sobrecarregados com tarefas que não lhes cabem, como a condução de veículos, o que amplia significativamente os riscos, especialmente em rodovias perigosas e em jornadas exaustivas.
Ainda que as circunstâncias do acidente estejam sendo apuradas, é inegável que a precarização das relações de trabalho no jornalismo tem colocado trabalhadores em situação de vulnerabilidade. A redução de equipes e a imposição da multifunção não são apenas medidas administrativas: são decisões que impactam diretamente a segurança e a vida dos profissionais.
Diante disso, a FENAJ e o SJPMG cobram a atuação do Ministério Público do Trabalho (MPT) para investigar as condições de trabalho nas empresas de comunicação, especialmente no que diz respeito ao acúmulo e desvio de função. As entidades também exigem rigor na apuração das responsabilidades e a adoção de medidas efetivas por parte das empresas para garantir equipes completas e condições seguras para o exercício da atividade jornalística.
Não é aceitável que profissionais da imprensa percam a vida em decorrência de condições precárias de trabalho. A defesa do jornalismo passa, necessariamente, pela valorização e proteção de quem o exerce.
SINDJORNP
O Sindicato dos Jornalistas do Noroeste Paulista (SindJorN), na pessoa do seu presidente, Alcimir Antonio do Carmo (também presidente da Federação dos Jornalistas de Língua Portuguesa – FJLP), lamenta profundamente as mortes dos jornalistas Alice Ribeiro (repórter) e Rodrigo Lapa (repórter-cinematográfico), ocorridas durante o exercício profissional para a Band Minas.
“Infelizmente, é mais uma tragédia resultante da precarização das condições de trabalho no nosso país. Com redações cada vez mais enxutas, e pautas cada vez mais urgentes e em maior quantidade, os jornalistas são pressionados a produzirem muito, exercer multifunções, inclusive de motoristas das viaturas, por salários cada vez menores. Os jornalistas brasileiros estão ficando doentes, estressados e sendo submetidos a condições que se aproximam mais e mais da escravidão. Isso sem falar na concorrência desleal com vários produtores de conteúdos (influenceres) os quais, sem qualquer qualificação profissional e ética, se dizem jornalistas e pioram ainda mais um mercado já precarizado e com vagas em queda crescente”, declarou.
Carmo concluiu dizendo que “a tragédia ocorrida em Minas Gerais é um drama já vivenciado por nós em São Paulo, com o caso no qual a emissora ainda ingressou com processo de danos contra o jornalista que dirigia a viatura para o ressarcimento, bem como em outros casos em vários Estados do Brasil. Não é um fato isolado. Lamentavelmente, vamos perdendo os colegas e as famílias seus filhos e filhas, pais e mães”.
Texto: Fenaj e SindJorNP
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